Comandante-Geral Rogério Figueredo de Lacerda, Secretário de Estado de Polícia Militar 

 

Com alguma frequência, as forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro, em especial a Polícia Militar, sofrem insinuações – e às vezes até acusações – de uma suposta ligação de seus membros com criminosos que, ao longo das últimas décadas, se organizaram em facções conhecidas como milícias. Por falta de conhecimento ou algum outro motivo, os autores emitem suas teses especulativas e cada vez mais anacrônicas sem qualquer conexão com os fatos.

A mais recente especulação a respeito surgiu na última quarta-feira (11/09), depois da operação realizada por policiais militares do 18º BPM (Jacarepaguá) na Cidade de Deus. A ação foi planejada para remover barricadas e grampos metálicos destinados a furar pneus para impedir a entrada de viaturas policiais e, consequentemente, impor um controle maior na mobilidade dos moradores da comunidade.

A insinuação de que a operação policial tinha como objetivo estratégico expulsar traficantes para facilitar a invasão de milicianos foi anulada no mesmo dia. Poucas horas depois do término da ação na Cidade de Deus, os policiais militares da mesma unidade operacional efetuaram a prisão de um dos chefões da milícia de Jacarepaguá, que, de acordo com a tese dos especuladores, seria beneficiada com o enfraquecimento da facção de narcotraficantes da comunidade.

Para continuar na região de Jacarepaguá, os policiais militares do 18º BPM realizaram, nos últimos 15 dias, operações precedidas de informações de inteligência em quatro áreas sob influência de milícias. Nessas ações, os policiais efetuaram a prisão de cinco criminosos e apreenderam armas, carregadores, munições, granadas, coletes, equipamentos eletrônicos, além de interditar depósitos de gás clandestinos.

Outros fatos concretos reforçam de forma clara e inquestionável que a Polícia Militar do Rio de Janeiro, dentro do contexto da política do segurança do Estado, reprime qualquer atividade criminosa, sem fazer distinção de facções.

Em todas as ações contra atividades de milicianos, desencadeadas pelo Ministério Público estadual ou pela Secretaria de Estado de Polícia Civil, a Polícia Militar está presente, seja atuando na área de inteligência, seja prestando integral apoio na área operacional.

Se houver a suspeita da participação de um policial militar num desses grupos criminosos, a Corregedoria da Corporação é acionada para participar da investigação e do cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

A área correicional da Polícia Militar não só mantém sua tradição de punir com rigor e celeridade os desvios de conduta na tropa como se reestruturou e se fortaleceu para melhorar seu desempenho. Já está em fase final de formatação, por exemplo, a criação de uma Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) para atuar especificamente na área de milícia.

As evidências e os fatos são os antídotos mais eficientes para anular ilações generalistas. Suspeitas e denúncias, levantadas por instituições públicas ou privadas, devem ser investigadas e não transformadas em especulações sem consistência.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro segue na sua missão de servir e proteger a sociedade – em defesa da democracia, da liberdade e do direito à vida.