Comandante-Geral Rogério Figueredo de Lacerda

Críticas, ponderações, sugestões são, em tese, sempre bem-vindas em qualquer área da atividade humana, especialmente quando endereçadas ao setor público, cujos gestores assumem o compromisso de trabalhar em benefício da coletividade.

Contudo, nem sempre novas ideias estão na direção correta. Foi o caso de um recente estudo divulgado na mídia. Por desinformação ou outro motivo, os autores tentam estabelecer uma relação entre a redução dos índices criminais com o aumento do número de mortes por intervenção de agentes do Estado. Não há qualquer conexão direta entre os dois fenômenos.

Nossas ações, em comunidades ou em missão de patrulhamento em vias urbanas, são planejadas com base em informações da área de inteligência e têm como preocupação central a preservação de vidas.

O confronto é uma opção dos criminosos, talvez por imposição de seus superiores hierárquicos, talvez por desespero. De posse de armas sofisticadas e com alto poder de destruição, disparam tiros em direção à tropa sem medir consequências. Sabem que, caso um morador da comunidade seja atingido, a culpa será imputada à Polícia Militar.

Nada vai nos intimidar. Estamos convencidos de que a redução contínua da criminalidade é resultado de ações concretas de um modelo de gestão sério e competente. Vale destacar alguns pontos-chave:

 

Apoio governamental/autonomia

Esses dois aspectos foram fundamentais. O Governador Wilson Witzel estabeleceu a área de segurança como prioridade. Para surpresa de muitos, recriou as Secretaria de Estado de Polícia Militar e de Polícia Civil. A medida foi bombardeada pelos críticos, que alertavam para uma suposta falta de coordenação. A prática demonstrou o contrário. Além da maior autonomia, jamais houve tamanha integração não só entre as duas corporações, como também entre os demais órgãos de segurança do Estado do Rio de Janeiro e instituições federais e municipais.

Diagnóstico com informações técnicas

A leitura e análise das manchas criminais disponibilizadas pelo georreferenciamento (ISPGEO) e as informações da área de inteligência têm nos orientado, tanto no planejamento macro a cargo do Estado Maior e dos comandos intermediários, como nas ações pontuais. Esse monitoramento é feito diariamente. Passamos a atuar preventivamente e ostensivamente nas áreas de incidência criminal.

Recomposição de efetivo e de recursos materiais

Embora não tenhamos superado ainda os efeitos da grave crise econômica e financeira do estado, foi possível recuperar parte do efetivo da Corporação para melhorar nossa capacidade operacional. Consolidamos a reestruturação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), estabelecendo uma integração maior dessas unidades com os batalhões operacionais da área; reiniciamos o processo de formação de novos soldados com a recuperação estrutural do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP); restabelecemos e valorizamos o Regime Adicional de Serviço (RAS); adotamos como política estratégica a integração com prefeituras da Região Metropolitana e do interior através do Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS).

A recuperação dos recursos materiais da Corporação tem sido da mesma forma imprescindível para ampliar nossa capacidade de operar. Como legado do Gabinete de Intervenção Federal (GIF), renovamos de forma significativa nossa frota de veículos e reforçamos nosso arsenal, com armas novas, munições e coletes balísticos.

Presença nas ruas e operações rotineiras

Os reflexos desse intenso trabalho de gestão estão nas vias urbanas e nas estradas. O Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (RECOM) recebeu reforço de efetivo e de viaturas, ganhará em breve uma sede nova na Tijuca e se transformou em referência de policiamento para população. O mesmo aconteceu com o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), que tem atuado fortemente ao longo das vias expressas da Região Metropolitana, e o Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), mais presentes nas rodovias estaduais.

A ampliação do policiamento ostensivo nos corredores urbanos – com as adoções dos programas Percurso Seguro e a reativação do Policiamento Transportado em Ônibus Urbano (PTOU) – e em áreas estratégicas da malha rodoviária, inclusive em jurisdições federais, tem sido um vetor importante na redução de roubos e latrocínios. E, juntamente com uma série de ações internas da Corporação (treinamento, acautelamento de armas e coletes), vem contribuindo de forma efetiva para a redução da vitimização policial.

Planejadas com base em informações de inteligência, nossas operações rotineiras têm objetivo de enfraquecer as organizações criminosas e alvos específicos, quando detectamos o uso de comunidades para determinadas atividades criminais. É o caso da comunidade da Pedreira, como local de transbordo de roubo de carga, e o Morro do Chapadão como depósito para corte ou revenda de veículos roubados. Ou seja, os roubos de veículos e de carga são combatidos preventivamente com a presença do patrulhamento nas vias expressas indicadas pelo ISPGEO e nas bases operacionais dos criminosos detectadas pela área de inteligência.

 

Todas essas ações explicam a queda contínua dos indicadores de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida da morte. Numa clara relação de causa e efeito, o aumento do número de prisões e de apreensão de armas e drogas, o enfraquecimento das organizações, a intervenção em tempo hábil para neutralizar os efeitos de guerras entre facções rivais, a dificuldade para a circulação de criminosos em vias urbanas, são alguns fatores responsáveis pela redução da letalidade violenta. E podemos prever uma clara tendência para a redução de confrontos.

De janeiro a agosto deste ano, os indicadores criminais mais impactantes sofreram reduções expressivas quando comparados com o mesmo período do ano passado. A  expectativa é de que os índices de setembro permaneçam em trajetória de queda  e a sensação de segurança da sociedade em alta.

Estamos vencendo a batalha. A vitória, ainda que parcial, é incontestável e não aconteceu ao acaso. É fruto de gestão competente e séria. E, sobretudo, é resultado de muito trabalho e dedicação dos 44 mil heróis anônimos que compõem a nossa Corporação.